terça-feira, 6 de março de 2012

Reflexões...

Foi ao aterrar no aeroporto de Luanda - Angola -,  de regresso do The  Rand  International Hotel, de Johannesburg - South Africa, que tive conhecimento do " 25 de Abril  ", despoletado em  Portugal..

Este histórico acontecimento, que se desenrolou numa manhã, em Lisboa, trouxe para uns situações boas e para outros, menos boas, ou mesmo muito más.

Neste sopro de vida,  creio que me resta pouco tempo, para poder partilhar algumas emoções de casos de que me  recordo, entre eles,  de  um acontecimento passado numa ilha fronteiriça a Olhão, a Fuzeta.

Com a Família , embarcámos no barco da carreira e, já na  praia, montámos  o guarda-sol. Cada um
tomou o caminho da ligeira ondulação marítima. Decorridos alguns momentos, fomos abordados por uns pequenos banhistas, de tenra idade, que se divertiam  junto ao mar, que seriam  estrangeiros.

Já perto da hora do almoço, uma Senhora, aproximando-se, perguntava-nos se teríamos visto o caminho que tais crianças tinham tomado.  A resposta foi que tínhamos deixado de as ver, há algum  tempo.

O desconhecimento para onde elas se tinham dirigido originou uma solidária procura, e, entretanto, dirigi-me a um estabelecimento que tinha telefone e através dele,  lancei o alarme à Capitania, para  procederem  à sua busca. Notei, que um grupo de pescadores,  lançara também as suas embarcações,  para a ajuda necessária.

Perto da tarde, soube-se que as crianças,  por se terem desorientado, foram encontradas por um "velho" habitante,  metidas num local pouco conhecido, nas entranhas arenosas.


O desfecho foi, então feliz, e... no dia seguinte, na praia, a Mãe ordenou as  miúdas que me fossem dar um beijinho  de  agradecimento...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Presságio

Estaríamos no ano de 1939, quando, ao cair da noite, residindo  em Lisboa, mais propriamente, na Luz - Carnide, algo de  muito estranho se estava a desenhar  nos céus, para os lados do aeroporto.

Com os ponteiros dos relógios avançando lentamente,  verificava-se-se uma  auréola muito colorida,  transformado-se, as nossas vistas, numa espécie de fogueira com chamas  muito densas.

Este fenómeno começou, então, a atemorizar, a minha saudosa Avó, que, virando-se para a coloração do céu que parecia em chamas, veio a saber que se tratava de uma aurora boreal.

Lembro-me que, assustada com o  FENÓMENO, disse-  ...  É SINAL DE GUERRA !...

Com efeito, dias depois REBENTAVA A 2ª GUERRA MUNDIAL ...


... a dor só dói a quem a tem !

Os meios televisivos, da actualidade, dão conta do encerramento de Hospitais e de Organizações  Publicas que se destinam a doentes que a eles se socorrem.

Com efeito é de temer que a alguém necessitado de socorrismo,  lhe seja  restringido  o acesso ao acolhimento, com o fim de que  lhe  sejam debelados  os seus sofrimentos  . É suposto que as razões que se prendem com estas situações, se prendam com  a falta  de meios adequados, sobressaindo os  de ordem financeira.

Se bem que, como diz o Povo . " não há  omeletas sem ovos...",  não deixo de me recordar de uma confrangedora situação vivida há bem pouco tempo, com uma doente, - antes do seu falecimento-, que consistia em não haver um simples cobertor para a cobrir do frio que a assolava, situação que foi colmatada por uma Grande Enfermeira, que se deslocou a sua casa para ir buscar  o cobertor de que a doente necessitava.

Sem querer menosprezar o sentido que se lhe quis atribuir, na época, em consciência, o que à Sociedade seria mais consentâneo?  A edificação de estádios de futebol, caríssimos e desnecessários, ou a construção de novos edifícios hospitalares para  benefício dos cidadãos?




Virtuoso insulto médico...


Pois a historia é a seguinte:

Estes charutos estão na prateleira, há  perto  de 40 anos, pelo seguinte motivo:

Em Angola, durante longos anos, fui um grande fumador de cigarros, até ao ponto de ter sido obrigado a suspender o tabaco, devido a uma intervenção cirúrgica a que fui submetido. Assim, durante  muito tempo deixei, efectivamente de fumar.

Surgiu, como se sabe, um período de guerra, em Angola, pela sua independência. Em consequência disso, retomei o vicio de fumador, ao ponto de só fumar charutos..

Por motivos igualmente de saúde,  desloquei-me a Lisboa, a fim de ser submetido a novos tratamentos.

Entretanto, por despacho  ministerial, de então, fui admitido nos quadros do Banco Pinto & Sotto Mayor, em Lisboa, e foi nesse Banco, que se passou o seguinte:

O distinto Médico, observou-me e, perante o resultado das observações clínicas a que fui submetido,houve o seguinte diálogo:

- O  Senhor ficou pior de saúde.Retomou o vício do tabaco, interrompido e suspenso por indicação minha?  
- Sim, Senhor Doutor, recomecei a fumar..
- SEU  ESTÚPIDO!!...

Resultado: aquele "insulto" caiu-me  tão  mal,  mas com tanta consistência,  amistosa, que, os charutos  no início da pagina são os que, a partir daquele  instante, recolheram a gaveta, até hoje... e, provavelmente até a eternidade... Bem haja, bondoso Médico...




Atmosfera

Era ainda jovem e, recordo-me de espectáculos atmosféricos que, em Luanda,  cheguei a observar, e, que  me recorde,  aqui em Portugal,  jamais vi coisa igual.


Diariamente, ao escurecer,  das grossas montanhas de nuvens,que se formavam no céu, os relâmpagos e as faíscas que, a todo o instante produziam alguma trovoada,  previam a aproximação de  cargas  de  água,  cujas chuvadas nem sempre acabariam por se abater na  zona. Este espectáculo, segundo os entendidos, era proveniente de  certo  distanciamento de uma  área  diamantifera, existente no norte de Angola.

Contudo, habituada a este iluminante fenómeno, naqueles tempos, a população já nem se amedrontava com
o desfecho que tal espectáculo viria a  causar.

sábado, 3 de março de 2012

Uma surpresa no rio

Mais uma  pescaria no caudaloso rio Cuanza.

Íamos navegando rio acima, com as canas de pesca  "artilhadas" para  pesca grossa, e, enquanto atentos à vegetação da margem esquerda,  sentimos que uma das canas de pesca vergava ao peso de algo que tinha "fisgado"...

E, à  medida que se recolhia a linha, a certa  distância, notou-se que algo volumoso  se  prendera no anzol.

Surpresa - o que vinha atrelado ao anzol, afinal não era um peixe mas sim um pequeno jacaré...

Tivemos  muita dificuldade em o aproximar do costado do barco, mas, como na época  as acções de banditismo eram constantes, andávamos sempre armados com uma pequena arma para defesa pessoal.
E foi  só com um tiro, com uma dessas armas, que se conseguiu recolher o dito jacaré, que depois trouxemos para as nossas residências, em Luanda.

O animal foi então posto dentro de um  largo recipiente, num quintal, para ser encaminhado  para um local mais apropriado. Sucedeu, que uma pessoa não tendo tido conhecimento da captura do  bicho, à noite, ao aproximar-se dele, ficou tão surpreendida e atemorizada, que... teve que ser transportada, em ambulância, para o hospital, a fim de ser socorrida e convenientemente tratada do susto que foi vítima.


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Recordando...


 Há recordações do passado, que o tempo não consegue demolir...

Abril de 1974 . O meu estado de saúde, na altura, derivado de uma  intervenção cirúrgica,  sensibilizou a Direcçao Geral do Banco Totta Standard de Angola,  que, a  seu cargo, deliberou que eu fosse consultado por médicos especializados  em Johannesburg - África do Sul, e que fosse acompanhado pela minha  Mulher.
Nesse sentido, fui portador de uma carta dirigida ao Commissionere Street Branch, the Manager The Standard Bank of South Africa Ltd,, que alem de  ser de apresentação, facultar-me-ia os levantamentos em Rands, que eu quisesse.

Já no aeroporto de destino, na África do Sul, ouvi pelos alto-falantes, uma voz que dizia  "Mr. Baptista, Mr. Baptista".. e, minutos depois, fui transportado, confortavelmente ao Hotel Roosevelt, para me instalar..

Efectivamente fui alvo de tratamentos, nas instalações  médicas, que me fizeram muito bem.

Aproveitámos, após melhorias no estado de saúde para darmos umas voltinhas pela cidade, e, de facto nos nossos bancos, nos autocarros,  iam sentados "os brancos" e lá atrás... "os negros"...

Em dada altura, sentados num restaurante, reparo que a  minha Mulher não parava de se rir.Descobri, então, que a razão de  tanto riso era motivado pelo seguinte: Tínhamos  acabado de comprar, numa casa de modas, um casaquinho para me  agasalhar e, pendurado nas costas, ainda vinha um letreiro,.em inglês, que, traduzido em português , significava, mais ou menos, que eu era um animal bem vestido..

Regressámos a Angola e não levantei, a coberto da carta de recomendação, um único Rand para meu proveito próprio.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A JADYCE...

JADYCE, foi o nome com que ficou uma cadelinha, que, em Luanda, nos bateu à porta, esfomeada, e, pela forma como se alinhou aos nossos pés, ficámos com a impressão de que tinha sido ou abandonada ou perdida de quaisquer donos, que, pela aparência, a tratavam bem... O acolhimento de nossa parte, foi imediato,  a par de avisos  que publicámos na imprensa local, sobre o seu paradeiro.

Vivíamos, nessa altura, uma época de constantes sobressaltos, devido à situação beligerante  que resultava dos confrontos entre os militantes dos três partidos, que se debatiam  pela independência de Angola.

Devido ao agravamento, sobretudo, em matéria de segurança pessoal e de estados de saúde, como se sabe, houve que se utilizar meios que transportassem  as pessoas, principalmente, por via  aérea, com destino a Metrópole. No turbilhão,  talvez por interferência de alguém ligado ao meio aéreo, a Jadyce, certo dia, foi encontrada, já esfomeada e debilitada num canto do então aeroporto de Pedras Rubras, no Porto.

Recolhida à nossa residência, notámos que qualquer coisa  de anormal se passava com ela. Transportada ao veterinário, então, no Jardim Zoológico de Lisboa, teve que ser abatida, por ser portadora de  grave doença, sobretudo devido a esgana que a afligia.  Até o próprio Veterinário se compadeceu enquanto lhe aplicava a injecção mortal...






quinta-feira, 1 de março de 2012

"NATÁLIA ROSA"

                                                           
Uma emocionante história de  amor, protagonizada por jovens Olhanenses, da ilha da Culatra (que se situa a poucas milhas do actual porto pesqueiro de Olhão) e que, com base em várias publicações da época e alicerçado em fontes fidedignas locais, inseri num modesto e despretensioso trabalho, do que foi a aventura do destemidol casal, que por razões que só a eles diriam respeito se atreveram a fugir, em pequena embarcação, rumo ao grande Brasil.

Este histórico acontecimento está gravado na fachada dianteira do edifício "Compromisso", em Olhão (imagem à direita).

A história,  tornada pública, relata que o casal  protagonista, ambos olhanenses da Culatra, notabilizou-se no ano de 1959 por atravessarem em toda a sua extensão o Atlântico, de Olhão a Porto Seguro (Brasil), num pequeno veleiro de 6,5 metros de comprimento e 2 metros de boca - "Natália Rosa"- em consequência  de uma simples história de amor proibido...


 "Compromisso" - em   Olhão.

Agradável surpresa




Heróis do mar, nobre povo,

Nação valente, imortal,

Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!



Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!



Com alguns meios rudimentares,  e após ter sido posto na " prateleira"   como bancário reformado e alicerçado em vasta leitura,  dediquei-me a, domesticamente,  ir gravando em discos DVD actos históricos relevantes que  impressionaram o Mundo em matéria naval.  Assim, com recurso a fontes fidedignas, consultei literatura adequada e fiz um trabalho com o principal objectivo  de divulgar a histórica travessia do caíque "BOM SUCESSO",  protagonizada por valentes pescadores de Olhão, que, atravessando o oceano Atlântico, em toda a sua extensão,  numa arrojada viagem, a caminho do Brasil, levaram ao Rei  D. João VI, a noticia da libertação do Reino do Algarve da ocupação francesa.

Este trabalho, doméstico, até mereceu a visita de uma entidade marítima  argentina, ao local onde o produzi.

É com  alguma surpresa que venho, agora,  recebendo, por parte  de algumas Entidades, convite para envio de trabalhos para publicação...