O conteúdo dos programas que acima são reportados, baseia-se, quase sempre, em situações inerentes a casos de injustiças praticados ao longos dos anos, aos quais a televisão pretende dar certo destaque, e comenta-los, de seguida.
Há historias, e historietas, de episódios que advém de situações que emergiram da tão falada "exemplar descolonização", na qual fui um protagonista, de certo modo ignorado, que quase daria para um filme. São das tais "memórias da revolução", de que, vou procurar aqui relatar, com um fim de entretenimento..
Como inicio do "programa", dou conta que nasci em Luanda ( Angola), a 12 de Abril de 1928, onde perpetuam os ossos da minha saudosa Mãe, (Maria Helena), meu querido Irmão (José Duarte) e meu respeitável Avô (Joaquim do Carmo Ferreira), sepultado em Nova Lisboa, a coberto da honrosa bandeira de Portugal. Exerci, depois de concluídos os meu estudos estudantis, funções laborais, em Empresas nacionais, estrangeiras e Bancárias., com êxito e dignidade, conforme provam fotocopias de algumas cartas, que ainda tenha guardadas, das quais reproduzo cópia de alguns originais.
Quis o destino, que nas vésperas da independência de Angola, fui acometido por grave doença, que, para a sua cura, não tive outro remédio senão o de apanhar um avião da TAP e rumar , com urgência, para uma clínica sediada em Lisboa. Por tal motivo, não me foi possível assistir ao hastear da nova bandeira angolana, pelo que, tempos depois, não sei porque rezão, destruíram-me todo o recheio que tinha deixado na minha residência, em Luanda. Para encurtar factos, acabei por vir cair de "para-quedas" nesta acolhedora cidade de Olhão, onde, depois de sessenta anos de casado, minha saudosa e querida Esposa acabou por partir para a Eternidade, Junto de Deus, onde descansa em Paz.
Com o direito a uma pensão ( a mínima no sector bancário) cá vou vivendo, e, para me ir entretendo para afugentar a solidão, cá vão mais uns relatos do que tem sido a vida de um " Velho do Restelo Grisalho"...
São cartas abonatórias de Empresas onde prestei serviço e executei funções de Chefia Contabilística.
Aconteceu, certo dia, um certo "acidente", quando transitei de uma Filial Bancária, de Moscavide, para Matosinhos(no Porto), que provocou, em certa medida, a minha inesperada "catadupla" para a situação de Reformado Bancário, que passo a explicar.. Logo à minha apresentação à gerência da Filial bancária , para onde recentemente fora transferido, a pedido pessoal, notei logo a existência de uma grande divergência de animosidade entre o gerente e a Séde Central do Banco, porque havia ali qualquer coisa que não corria lá muito bem. Isso porque, talvez por uma questão de invejas, o gerente fora acusado de "beneficiar", inicita e monetariamente, a sua Esposa, negociante e proprietária de uma Camisaria, naquele mercado. Não correspondia à verdade, pois o gerente, pessoa honesta, cumpria rigorosamente as normas e regras impostas no exercício da sua actividade, como se provou mais tarde Certa tarde, um grupo policial, mandatado pelo sector jurídico para vir buscar o tal Gerente, ao sair do Banco, foi interrompido por um estampido de uma pasta atirada estrondosamente para o chão, em sinal de protesto, cujo autor é o mesmo que está´neste preciso momento alinhavando esta "novela", e que me lembre, gritei " este nosso Colega,( Raul Peixoto) que esta sendo levado pela Policia, como "gatuno", esta sendo injustamente conduzido pelos policias, pois entendo que, enquanto não for provada a sua inocência, considero um castigo o que injustamente lhe está sendo aplicado, e, quanto a mim esta sendo vitima , neste momento de uma atroz vergonha.".
Provou-se, de seguida, que eu estava dentro da razão.
Para o substituir, no dia seguinte apresentou-se ao serviço, um novo trabalhador bancário, para assumir a gerência, em substituição, e, com grande desplante, e vaidade, apregoava que fora Director de uma Agência Bancária, em Angola. Mas, como diz o Povo" a verdade vem sempre à tona da água", eu, que efectivamente exercera funções de chefia num outro Banco concorrente,, recebia, confidencialmente, papelada sobre os nomes dos responsáveis das suas agências espalhadas pelo país, e desmenti a arrogância do novo gerente, dizendo.. "O Senhor vem para aqui anunciar que era Director, mas eu tenho comigo a prova que o Senhor era "Caixa Móvel" e nunca foi director, como anuncia aqui arrogantemente"..
Claro que isto motivou grande "borborinho", e, aqui está a prova documental do que tenho vindo a relatar..
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LISTA NOMINAL DOS GESTORES DE AGÊNCIAS NO PAIS |
Sempre fui contra todo o tipo de injustiças praticada contra Colegas....
Fui vitima da vingança do meu novo gerente... que escreveu o seguinte e recebeu esta resposta:
"Mais informamos que hoje faltou ao serviço o n/colega Snr. ARMANDO BATISTA por motivo de doença...
..."... PS - ... Entendemos por bem manifestar a n/ preocupação relativamente ao estado de saúde ou ao estado psíquico deste funcionário, que, felizmente fora das horas de expediente de ontem e com o n/ Gerente em serviço exterior, teve um manifesto de desequilibro que provocou, naturalmente preocupação e tensão neste local de trabalho, tendo sido levado ao hospital."
E acrescenta mais o seguinte:
..."pois, uma Agencia ou qualquer Balcão, não pode estar exposta a imprevistos resultantes do estado de saude ou psiquicos de qualquer dos seus elementos, conquanto eventualmente, poderão até sentir-se mal colocados em qualquer desses casos..."
A resposta que veio de seguida da Direcção e Sede do Banco, foi esta:-:
..." O sucedido com este empregado poderá acontecer a qualquer outro que não se encontre em condições físicas ou psíquicas normais Como tal deverá ser submetido a tratamento médico adequado e só retomar o serviço depois de considerado apto pelos serviços clínicos que o têm vindo a acompanhar..."
Final da história.... Hoje sobrevivo com uma pensão de reforma, equivalente ao mínimo salário contratual na actividade bancária igual à de APRENDIZ DA BANCA... depois de ter sido Chefe e Componente de uma equipe que Fundou um dos maiores bancos que existia em Angola - BANCO TOTTA-STANDARD DE ANGOLA.
Tá?!...
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