Não constitui publicidade gratuita, mas, hoje, quinta-feira, dia 7, logo pela manhã cedo, desloquei-me à papelaria que está perto da minha residência, Olhão, e comprei o 2º volume da "
A Luta pela Libertação-Descolonização", que o jornal "Correio da Manhã" disponibiliza cada semana, do mês.... E que vou começar a ler...

"
Andar rapidamente e em força ...
para Angola. A 13 de abril de 1961 Salazar assumia a pasta da Defesa e mobilizava o país para a Guerra Colonial, transformando-a numa realidade incontornável" (SIC))
..."Foram 13 longos anos de luta. Longos e duros, não só para os militares portugueses como para os guerrilheiros africanos...!" (SIC ).
A foice do tempo não apagou (nem apaga) o panorama, cruel, que se viveu, sobretudo em Angola que resultou, na ironia das ironia, por ser a guerra a grande responsável pela queda do Império, cujo objectivo inicial, no tempo de Salazar, SERIA manter a "totalidade Portuguesa", sobretudo na Província Ultramarina de ... ANGOLA !.
Eis alguns quadros que a memória não permite que venham a ser esquecidos...
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| Angola... |
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Pois é, decorridos quase cinquenta anos folheio as páginas de história onde me vejo incluído por força das circunstâncias. Com frequência me revejo nas histórias e historietas daquele período. Tive a sorte de passar relativamente ileso por aquele período conturbado da história de Portugal e do Mundo, fruto, gosto de assim pensar, de uma postura honesta e honrada, procurando ajudar aqueles com quem me calhava em sorte partilhar momentos de uma existência comum. Provavelmente, e agora percebo, terei passado por momentos de grande perigo, os quais, dada a minha ingenuidade, me passavam completamente ao lado. Recordo, por exemplo, aquele episódio (já aqui relatado) em que o avião em que seguia de Luanda para Lisboa, foi dada ordem de retorno a Luanda, tendo posteriormente chegado à conclusão de que o motivo para tal ordem era a minha presença a bordo. A razão para tal nunca cheguei verdadeiramente a conhecer. Tenho a consciência tranquila pelo o que não posso sequer imaginar a razão da ordem de regresso transmitida ao comandante da aeronave, a qual não foi, felizmente, atendida.


Assim, aqui me encontro a desfrutar dos meus quase noventa anos, pacificamente observando a realidade que me cerca, enquanto outros, infelizmente, já não me acompanham, como é o caso especial da minha amada Esposa, Alvarina Teresa. E isto só é possível graças ao sacrifício de muitos que, naquele tempo, deram tudo, até a vida, para que outros pudessem prosseguir com o seu viver...
A esses, a minha homenagem e o mais sincero dos agradecimentos. São frequentemente os Heróis Anónimos que escrevem as páginas da história, ainda que o seu nome seja, injustamente, omitido. São esses os verdadeiros Heróis e não aqueles que, qual emplastro, aparecem à frente das câmaras depois de, nos maus momentos, terem permanecido escondidos que nem ratos, num exílio dourado, em que cometeram, inclusive, crimes lesa Pátria, pisando e desprezando publicamente o símbolo máximo da Nação, a sua Bandeira...
Tá?!...
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